Estudo aponta que medicamentos para emagrecimento podem alterar paladar e reduzir apetite
Um estudo apresentado na Reunião Anual da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes (EASD), realizada em Viena, identificou um efeito inesperado entre usuários de medicamentos populares para controle de peso, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro.

Foto: Reprodução das redes sociais
A pesquisa, que analisou 411 voluntários em uso contínuo das medicações por pelo menos três meses, revelou que um em cada cinco pacientes relatou mudanças na percepção do paladar, frequentemente associadas à redução do apetite.
Segundo o coordenador do estudo, Othmar Moser, da Universidade de Bayreuth (Alemanha), a descoberta pode ter implicações clínicas importantes. “Se essas alterações estiverem ligadas ao controle do apetite e à perda de peso, médicos poderão selecionar com mais precisão as terapias, oferecer orientações alimentares personalizadas e melhorar os resultados a longo prazo”, afirmou.
Resultados do levantamento
- Participantes: 148 em uso de Ozempic, 217 de Wegovy e 46 de Mounjaro.
- IMC médio inicial: 34,7 kg/m² (Ozempic), 35,6 kg/m² (Wegovy) e 36,2 kg/m² (Mounjaro).
- Redução média do IMC: 17,4% (Ozempic), 17,6% (Wegovy) e 15,5% (Mounjaro).
O levantamento mostrou que 21,3% dos entrevistados passaram a sentir os alimentos mais doces e 22,6% relataram sabor mais salgado, sem alterações relevantes em amargor e acidez. Usuários de Wegovy foram os que mais notaram aumento na percepção da salinidade (26,7%).
Além disso, 58,4% dos participantes afirmaram sentir menos fome e cerca de 60% disseram atingir a saciedade mais rapidamente. Entre os que utilizavam Mounjaro, houve destaque para a maior redução nos desejos por comida em comparação com os demais grupos.

Foto: Reprodução das redes sociais
Outro dado observado foi que pacientes que relataram alterações no paladar também apresentaram mais chances de sentir maior saciedade durante o tratamento.
Como funcionam os efeitos
De acordo com Moser, os medicamentos atuam não apenas nas áreas cerebrais e intestinais ligadas ao controle da fome, mas também nas papilas gustativas e nas regiões cerebrais responsáveis pela percepção de sabor e recompensa. “Isso pode alterar a forma como sabores intensos, como doce e salgado, são percebidos, impactando indiretamente o apetite”, explicou.
Limitações
Apesar dos resultados, os pesquisadores alertam que o estudo tem limitações: os dados foram autorrelatados e não permitem estabelecer uma relação de causa e efeito, além de a amostra não refletir todos os perfis de pacientes.
Mesmo assim, a descoberta pode abrir caminho para novas estratégias clínicas. “Monitorar mudanças no paladar pode oferecer pistas sobre a resposta ao tratamento, mesmo que essa alteração não seja, por si só, a responsável pela perda de peso”, concluiu Moser.


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