Atentados simultâneos atingem sudoeste da Colômbia

Na terça-feira (10), a Colômbia foi abalada por uma série de atentados coordenados e violentos, especialmente nas regiões de Cauca e Valle del Cauca, no sudoeste do país. Os ataques resultaram na morte de pelo menos quatro pessoas, entre elas dois policiais, e envolveram o uso de carros-bomba, drones e explosivos em motocicletas.
Segundo autoridades locais, ao menos 16 ações armadas ocorreram em diversas localidades, incluindo a cidade de Cali, a terceira maior do país. Delegacias e prédios públicos foram alvos diretos dos atentados, que deixaram ainda danos estruturais em ruas e imóveis.
Explosões e alvos dos ataques
Em Cali, capital de Valle del Cauca, um policial foi morto quando uma motocicleta explodiu nas proximidades de uma unidade de segurança. O secretário de Segurança local, Jairo García, anunciou uma recompensa equivalente a R$ 400 mil para quem fornecer informações que levem aos responsáveis pelos ataques.
Outros incidentes foram registrados nas cidades de El Bordo e Corinto, ambas no departamento de Cauca. Em El Bordo, um carro-bomba destruiu parte da via pública e causou danos a imóveis vizinhos. Situação semelhante foi registrada em Corinto, intensificando o clima de insegurança na região.
O chefe da polícia nacional, Carlos Fernando Triana, classificou os atentados como “insanos” e revelou que os grupos armados estavam comemorando o aniversário da morte de um ex-comandante guerrilheiro conhecido como “Mayimbu”, falecido em 2022.
Relações com dissidentes das FARC e narcotráfico

As regiões atacadas são conhecidas por abrigarem disputas entre o Exército colombiano e dissidentes das extintas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), especialmente os grupos ligados ao Estado-Maior Central (EMC), sob a liderança de Ivan Mordisco. Esses dissidentes operam majoritariamente em áreas rurais e atuam no controle de plantações de coca, matéria-prima da cocaína.
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, que tentou reabrir o diálogo de paz com os guerrilheiros e cartéis, comparou Ivan Mordisco ao lendário narcotraficante Pablo Escobar, morto em 1993. No entanto, as tentativas de negociação foram interrompidas em abril de 2024, quando Mordisco abandonou as conversações, enfraquecendo os avanços na pacificação do país.
Nas últimas semanas, surgiram rumores sobre a saúde de Ivan Mordisco, que teria sido ferido em uma operação militar. Sua possível prisão ou morte pode ter motivado os recentes ataques como forma de retaliação e demonstração de força dos dissidentes.
Tentativa de assassinato de Miguel Uribe e instabilidade política
Os atentados desta semana ocorrem em meio a um clima político tenso, agravado pela tentativa de assassinato do senador Miguel Uribe, de 39 anos, ocorrida três dias antes em Bogotá. Uribe, pré-candidato à presidência da Colômbia, foi baleado duas vezes na cabeça durante um comício e se encontra em estado grave.
O ataque ao senador, somado à onda de violência nos departamentos de Cauca e Valle del Cauca, evidencia o crescente risco à estabilidade democrática do país. Especialistas em segurança pública alertam para a necessidade de resposta coordenada entre forças armadas, inteligência e comunidade internacional para conter o avanço das facções armadas.
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A retomada de ataques coordenados também levanta preocupações quanto à capacidade do governo de proteger instituições públicas e garantir eleições seguras, especialmente diante de um cenário eleitoral polarizado e permeado por ameaças.


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