A Polícia Federal informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que não conseguiu contato com o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) para notificá-lo formalmente sobre a abertura de um inquérito que investiga sua suposta atuação nos Estados Unidos contra autoridades brasileiras. Mesmo com diversas tentativas de comunicação por e-mail e telefone, o parlamentar não retornou às mensagens.
Mensagens foram entregues, mas não houve resposta
De acordo com o relatório enviado ao STF, a corporação tentou notificar Eduardo por meio de seu e-mail funcional, um endereço eletrônico pessoal, mensagens via aplicativo no celular e chamadas ao telefone do gabinete parlamentar em Brasília. Apesar de os sistemas confirmarem a entrega das mensagens, nenhuma resposta foi recebida até o momento.
A ausência de retorno por parte de Eduardo Bolsonaro ocorre mesmo diante da confirmação técnica de que os conteúdos foram recebidos. “As mensagens foram devidamente entregues aos destinatários, conforme os registros do sistema de correio eletrônico”, diz trecho do documento da Polícia Federal.
Inquérito foi autorizado por Alexandre de Moraes
O inquérito em questão foi autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes, relator de casos sensíveis relacionados a atos antidemocráticos. A apuração gira em torno de suspeitas de que Eduardo Bolsonaro esteja atuando, enquanto nos Estados Unidos, para influenciar autoridades estrangeiras contra instituições brasileiras, especialmente o Supremo Tribunal Federal.
A decisão de Moraes permite que Eduardo preste esclarecimentos por escrito, considerando que ele está fora do país. Ainda assim, o silêncio do parlamentar tem levantado preocupações dentro do STF e da Procuradoria-Geral da República (PGR), que solicitou a abertura da investigação.
Acusações envolvem tentativas de sanções internacionais
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2025/B/o/yBPZdAQIaGAGYpghyCxQ/age20250526019.jpg)
Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo
De acordo com a PGR, o deputado tem utilizado suas redes sociais e dado entrevistas em solo americano com o intuito de incentivar o governo dos Estados Unidos, particularmente o ex-presidente Donald Trump e seus aliados, a adotarem sanções contra integrantes do sistema judiciário brasileiro.
Essas ações estariam ligadas, segundo os procuradores, a tentativas de interferir em investigações que envolvem seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente réu em um processo sobre tentativa de golpe de Estado. As manifestações públicas de Eduardo no exterior são vistas como parte de uma estratégia mais ampla para minar a credibilidade das instituições democráticas do Brasil.
Possíveis crimes sob apuração
A conduta atribuída ao parlamentar pode configurar diversos crimes, entre eles coação no curso do processo, tentativa de obstrução de investigações e até mesmo ações voltadas à abolição violenta do Estado de Direito. A PGR destacou que a atuação de Eduardo, ainda que ocorrida fora do território nacional, possui efeitos diretos sobre a estabilidade institucional brasileira.
Se comprovadas as acusações, o deputado licenciado poderá enfrentar sanções severas, inclusive a perda de direitos políticos. O inquérito está sendo conduzido com sigilo parcial, mas o STF mantém canais abertos com o Ministério Público e a Polícia Federal para garantir celeridade nas apurações.
Repercussão política

A falta de resposta por parte de Eduardo Bolsonaro gerou forte repercussão entre parlamentares e juristas. Enquanto aliados classificam o inquérito como uma perseguição política, críticos apontam que o silêncio do deputado pode ser interpretado como estratégia para postergar ou dificultar a investigação.
O caso reacende o debate sobre a responsabilidade de parlamentares no exterior e o limite entre liberdade de expressão e afronta às instituições democráticas. A atuação internacional de figuras políticas brasileiras vem sendo observada de perto por setores da diplomacia e da segurança institucional do país.
Próximos passos da investigação
Mesmo sem o retorno do investigado, a Polícia Federal prossegue com a coleta de provas, monitoramento de redes sociais, e articulações jurídicas para garantir o avanço do processo. A expectativa é que, caso Eduardo Bolsonaro permaneça em silêncio, outras medidas legais sejam avaliadas, incluindo eventual solicitação de cooperação internacional.
O STF deve acompanhar de perto os desdobramentos do caso, que poderá ter reflexos tanto no campo jurídico quanto político. Caso o deputado decida se manifestar, seu depoimento poderá ser prestado por escrito, conforme já previsto pela Corte.
veja tambem: Operação policial desarticula organização criminosa na Paraíba
Conclusão
A dificuldade da Polícia Federal em notificar Eduardo Bolsonaro marca mais um capítulo da tensão entre setores do poder público e figuras ligadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Com investigações em curso e o Supremo atento aos movimentos no cenário internacional, os próximos dias prometem novos desdobramentos no caso.


Deixe um comentário